Encontro casual

Hoje fui às compras!

Ainda não comprei nada para o Natal (por enquanto). A prenda da minha cara metade continua em suspenso. Acho que vou mesmo optar pela consola.
Não sei porquê mas com este calor ainda não consigo sentir o espirito natalício.

Limitei-me a fazer compras para a casa. As batatas estavam em promoção no supermercado, então aproveitei e comprei 10 kg.Também trouxe uma sopa de cebola e pão de Mafra, que é uma delícia.

Fiz frango com cerveja. Ficou saboroso, por acaso! É uma receita realmente simples, rápida e recomendável.

O que mais me surpreendeu no dia de hoje, à parte o frango, foi a minha saída do supermercado.

Ainda não tinha arrumado o carrinho e já tinha um senhor a oferecer-se para me ajudar com as compras.Disse-lhe que "não obrigada", mas nem sequer me deixou argumentar mais. Já tinha os sacos na mão, não mos devolvia e perguntava insitentemente para que lado ía.

Sinceramente deconfiei.Ouvem-se tantas histórias todos os dias, que me passaram mil e uma ideias pela cabeça: pode ser um sequestrador, um ladrão (mas também para que havia de querer as minhas compras? Não tinham nada de valor e o senhor não tinha cara de esfomeado), um traficante de órgãos...

Depois percebi que pensava que eu tinha levado o carro e queria ajudar-me a levar as compras. Disse-lhe que tinha ido a pé e pensei que as coisas ficassem por ali.
Mas não. Insistiu que, mesmo assim, queria ajudar-me porque os sacos estavam muito pesados.E não é que foi comigo até à porta de casa?
Não pediu dinheiro, não exigiu absolutamente nada.
Apenas quis ajudar e ainda pediu desculpa!!!

Pelo quilómetro e meio que fizémos juntos fiquei a saber que está em Portugal há pouco tempo. É ucraniano, e como muitos ucranianos, não está a viver nas melhores condições. Tem trabalho, não a contrato, o que lhe dificulta a vida, já que não pode obter documentos como o cartão de contribuinte.

Contudo, diz que está a adorar o nosso país. Que somos um povo simpático e tranquilo; que "lá na Ucrânia, andam sempre nervosos e tristes.A vida é muito difícil".Deixou um filho e veio para tentar juntar dinheiro e poder proporcionar melhores condições àqueles que ama.

Despedimo-nos com um sorriso e desejei-lhe as maiores felicidades, agradecendo e reforçando a ideia de que o seu gesto não é nada comum e é de louvar.

Fiquei a pensar nele, no seu gesto invulgar e bonito, e nas centenas de imigrantes que todos os anos vêm para Portugal em busca de uma vida melhor.

Conheço casos de sucesso. Oxalá este seja um deles!


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